Mas e a CARTEIRADA?

Salve salve, minha tapioca vegana de inconformismo. Cê tá na tranquilidade? Tá conseguindo pagar as contas (ou ignorando com sucesso as com juros menores)? Espero que sim.

Pois bem: nessa correria que é a volta às aulas (é, amores; eu curso Gestão de Negócios & Inovação), a gente tem que se multiplicar pra conseguir dar conta de tanto absurdo, gente falando bobagem, o trabalho, a saúde mental... mas certas coisas precisam de ditas. E sou obrigado a dizê-las de uma forma chata: o apelo à autoridade.

O argumentum ad verecundiam ou argumentum magister dixit é uma expressão em latim que significa apelo à autoridade ou argumento de autoridade. É uma falácia lógica que apela para a palavra ou reputação de alguma autoridade a fim de validar o argumento. Em bom português, chamamos de CARTEIRADA. No caso, a autoridade é minha.

Quem me conhece sabe (e quem não conhece, aguarde surpresas em breve por aqui) que cresci no meio da militância e das subculturas, especificamente os góticos, os punks e os skinheads. E o engraçado é que realmente parece um mundo paralelo. As coisas que nós sabemos "na cena" geralmente são desconhecidas pelo cidadão civil (o que faz com que desconheçamos coisas como Alok ou qual a última fofoca da Anitta). É quase como as organizações secretas da maçonaria e similares. Mas às vezes essas duas realidades resolvem se juntar. Quando isso acontece, temos aqueles crossovers caóticos.

Em fevereiro de 2000, o adestrador de cães Edson Neris é morto por um grupo de Carecas. Se eles eram nazistas, fascistas, nacionalistas, comunistas, paraquedistas ou meramente rapazes com problemas de calvície, o cidadão médio jamais saberá. Eu sei.

Em outubro de 2007, punks matam atendente de pizzaria por desconto em pizza. Eram punks mesmo? A história foi mesmo desse jeito? Eu sei.

Em julho de 2011, grupo neonazista que jogou bomba na Parada Gay agride moradores de rua em bairro de SP. Eu sei nome e sobrenome dos caras.

Em junho de 2011 um grupo de 20 skinheads foi autuado na Praça da República, sendo divulgado pelo G1 e pelo Datena. Eu tava lá... rsrsrs

Queria saber dessas coisas? Não. Mas fazer o quê, né?

Pois bem. Com base nesse meu histórico, gostaria de mencionar as palavras da excelentíssima ministra Carmen Lúcia nesta semana. Conforme matéria publicada no Estadão:

A ministra do STF (Supremo Tribunal Federal), Carmen Lúcia, afirmou serem "absolutamente ilegais" as milícias virtuais, e que - apesar de "antidemocrático" - robôs estão sendo empregados para influenciar o debate político em ambientes digitais. De acordo com a ministra: "No mundo inteiro estamos vendo o fascismo chegar perto, mas não chega pela forma tradicional, chega com os robôs, se entronizam em espaços que a gente nem percebe."

Ministra, a senhora realmente só percebeu agora? A mamadeira erótica realmente pareceu algo divulgado por pessoas sensatas preocupadas com a segurança de crianças? Sério mesmo?

Sério que não rolava dar uma atenção aos grupos, inúmeros, divulgando material nacional-socialista desde a década de 1980? Sério que não tinha como dar aquela analisada no histórico do cara que sempre foi exaltado pelos nazistas do Brasil antes de ele se candidatar à presidência? Sério que a senhora achou uma boa ignorar as palavras de apoio de David Duke, ex-líder da Ku Klux Klan, ao presidente em outubro de 2018?

Hoje, o policial e ativista antifascista Leonel Radde, mestre em Direito, divulgou a possível ligação dos agressores bolsonaristas a um grupo paramilitar de orientação claramente autoritária denominado 300 do Brasil (patrocinado por Sarah Winter, de quem só falo ao vivo). Vejo gente chocada. Mas pessoal, essa fita de fascista e nazista apoiando o atual presidente rola desde antes do CQC e da Luciana Gimenez! Sério que geral vai fazer a Carmen Lúcifer (perdão, foi o corretor) e fingir que não viu???

Mas isso traz um ponto bastante positivo (que deveria ser o centro do texto se eu não estivesse tão indignado): o posicionamento antifascista está saindo (ou sendo obrigado a sair) dos nichos das subculturas. Você não precisa raspar a cabeça ou levantar um moicano para ser antifa. Não precisa se cobrir de tatuagens, entrar para uma gangue ou arranjar briga na rua (mas se quiser, pode). Ficar indignado com esses absurdos é mais que legítimo: é mandatório. Mas a indignação por si é inútil e só serve pra piorar a gastrite. Tem que se formar. Tem que se informar.

A informação está aí. Tanto nas conversas (online) com os antifa véio feito eu, quanto na rede como um todo (tipo aqui na PODOSFERA ANTIFASCISTA). Lembre-se: você, indignado com o rumo que as coisas estão tomando, não está sozinho. Nós não estamos sozinhos. Só estamos separados.


A discussão não é entre direita e esquerda. É entre civilização ou barbárie.

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