Mas e o DIA MUNDIAL DA SAÚDE?

E aí, meus quarenteners? Tudo indoors? Eu sei que tem o Mandetta, as acusações de estupro do Prior, o desvio das máscaras, o Gabinete do Ódio, o meme do velório em Gana, o Caso Morel, o crime da mala, Coroa-Brastel, o escândalo das jóias, o colapso do SUS e o Babu no paredão pela 34° vez. Mas hoje é o Dia Mundial da Saúde, então faça sua parte votando na Marcela e vem comigo.

"Conforme estudo conduzido por Mingyang Song, especialista em estudos nutricionais na Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard, em 2016, concluiu-se que aumentar o consumo de proteínas vegetais como feijão, tofu, grão-de-bico e muitos outros em apenas 3% diminui em 10% o risco de vida." - okay, e daí, seu eco-chato?

"Acadêmicos da universidade italiana de Florença compararam a saúde de pessoas vegetarianas e veganas com as de pessoas onívoras (quem comem de tudo). Concluíram que a alimentação de base vegetal dos veganos e vegetarianos ajuda a diminuir a incidência de câncer e problemas no coração." - já acabou, Sr. Biodesagradável?

Existe uma lenda conforme a qual todo vegan sente a necessidade de afirmar, o tempo todo, que é vegan. Isso não é verdade. Eu, que sou vegan, tenho propriedade para afirmar isso.

Esse texto não visa, a princípio, usar o argumento "veganos são mais saudáveis" para trazer não-veganos à causa. Na realidade, ele segue num caminho meio oposto. Voltado a você, que já é vegano ou simpático à causa, a ideia é trazer a reflexão: o quanto a preocupação com a saúde mantém a população consumindo animais, seja essa preocupação legítima ou não?

Quando sua avó prepara aquele frango com quiabo, porque sabe que você "não come carne", ela se preocupa com a sua saúde. A esposa que gostaria de preparar o bife de alcatra para o marido levar na marmita, mas só tem dinheiro para preparar carne moída de procedência duvidosa, o faz porque o marido precisa de "sustância" em seu trabalho braçal. Ela se preocupa com a saúde do marido.* Além disso, é sabido existir um lobby da indústria da carne, associado à hegemonia religiosa ocidental (em que a divindade suprema teria criado os animais para servirem à humanidade), sempre associando a saúde à "dieta balanceada". Sim, aquela dieta que afirma ser "abrangente e completa" por consumir carne, mas consegue repetir o cardapio básico de arroz, feijão, salada, fritas e algum animal por 1 mês a fio sem problemas. 

Com tudo isso, paira o questionamento: até onde nossa saúde não está trabalhando contra aquilo que acreditamos e defendemos? Até onde nossos hábitos e as consequências deles não estão corroborando o discurso anti-vegan? Até onde nós não somos exatamente o exemplo que o adversário precisa para deslegitimar toda uma luta coletiva? A ideia não é apontar dedos, mas trazer a reflexão. Muitas vezes cremos que nossas posturas e ações são um fim em si. O sistema nos ensinou assim. Mas pensarmos em nós mesmos como parte de algo maior faz com que pensemos em nós mesmos numa escala de importância e priorização bem superior.

O establishment opressor silencia, exclui e mata das mais variadas formas. Alimentar as populações de veneno é uma delas. Vender soluções caras para problemas inexistentes, outra. Ambas têm como importante alvo nossa saúde. Ambas trabalham CONTRA o abolicionismo. Se não podem nos matar, podem deslegitimar nossa fala. Se não podem esconder a realidade da indústria, podem vender bem-estarismo nos rotulado de "extremistas". E diante disso, o que ganhamos quando nos encaixamos nas grades ideológicas criadas para apagar nossos passos?



Vegano, sua saúde é mais que importante. É mais uma arma na luta para dar voz àqueles que não têm voz.
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* Achou machista? Que bom. Em breve, abordaremos também essa questão.

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