Mas e os EVANGÉLICOS?

E aí, pessoal, tranquilo?

Eu estava lendo coisas para a faculdade e surgiu um texto sobre álcool (eu tava estudando varejo e economia! Cêis tão vendo que não é culpa minha, né?). Esse texto comentava que as bebidas alcoólicas no happy hour estão em baixa entre os millenials. E não é nem por causa do preço abusivo do litrão em alguns locais, tampouco porque a galera cansou de tomar "pipoca com álcool". O jornal Financial Times informa que o pedido de opções sem álcool em celebrações corporativas subiu  de 10% para 50% desde 2017. Aí resolvi fazer o texto "Mas e a CACHAÇA", até ver as causas disso tudo. Fui pesquisar. E uma das principais razões para isso é a religião.

Em 2010, os cristãos eram 87% da população brasileira, sendo os evangélicos (que teoricamente não consomem álcool em sua maioria), 26% dessa galera. Comparado a estudos de 2000, o número de cristãos evangélicos aumentou 61% em 10 anos! Tipo, de 27,6 milhões em 2000, o Brasil passou a ter aproximadamente 44,5 milhões de evangélicos em 10 anos. Mas o que motivou isso?

Em 2015, o Pew Institute realizou um estudo do panorama de crenças na América Latina com amostragem em 18 países do continente, incluindo o Brasil. Nesse estudo, 20% dos brasileiros eram católicos, mas haviam deixado a prática. A busca de uma "melhor relação com Deus" foi a causa da mudança de crenças para 81% . Para 69%, era o modo ou o estilo de viver a fé em sua nova igreja e, em 60% dos casos, a "ênfase mais apropriada" em questões éticas.

Independentemente dos motivos, é um fato inegável: se há uma força crescente no Brasil, essa força se conecta com as populações evangélicas. E quando eu falo evangélico, me refiro a protestantes de todas as vertentes, desde a Assembléia de Deus, Paz & Vida, Universal, Mundial, Deus é Amor, Bola de Neve, Congregação Cristã do Brasil, Testemunhas de Jeová, Adventistas do Sétimo Dia, Presbiterianos, Renascer, o fã clube do Dream Theater... enfim. Os discursos evangélicos tocaram e tocam camadas da população que outro discursos não conseguiram. Onde os líderes evangélicos estão acertando?

Por conta de outro projeto que tenho (sem spoilers dessa vez), tenho conversado com muitas pessoas sobre religião, fé e política, e isso tem aberto muito minha cabeça. Muitos me dizem que o caminho evangélico tem mais coerência entre a teoria e a prática quando comparado a outras fés. Também é dito que o discurso, mesmo eventualmente restrito, é acolhedor e dá esperança às pessoas que não têm perspectiva quando se trata de família, sociedade e governo. Esse segundo perfil contempla boa parte das populações periféricas do país, o que sugere o aumento de lideranças evangélicas como alternativas nas favelas (como a série Sintonia, da Netflix, mostra muito bem - e não me pagaram pra falar isso). Mas se tantas pessoas buscam a religião por falta de perspectiva, entre outras coisas, com a política, religião e política não deveriam estar desconectadas? Como diria V, em V de Vingança, "It is at this point in our story that along comes a spider.".

A Bancada Evangélica teoricamente não existe como partido. Trata-se de uma frente parlamentar composta por membros de inúmeros partidos. Se fosse um partido de fato, seria o maior do Congresso Nacional, com 91 membros, à frente do PT com 56 e do PSL com 52. O pessoal levou a sério quando alguém gritou "Deus nos acuda" por causa da zona na política. Mas é importante lembrar que nenhuma entidade divina além do Toninho do Diabo se candidatou para as últimas eleições. O Temer não conta, porque não conheço nenhum satanista que o apoie.

Em teoria, a bancada se posiciona em relação a temas como igualdade de gênero, aborto, eutanásia e casamento entre pessoas do mesmo sexo, além de também se opor à criminalização da violência e à discriminação contra homossexuais, bissexuais e transexuais e de castigos físicos impostos por pais aos filhos. O grupo também tenta derrubar resoluções do Conselho Federal de Psicologia (CFP) que impedem que psicólogos tratem a homossexualidade como uma doença, apesar da decisão do CFP estar de acordo com a resolução de 1990 da Organização Mundial da Saúde (OMS), que retirou a homossexualidade da lista de distúrbios mentais depois de diversas outras organizações psiquiátricas respeitadas, como a Associação Americana de Psiquiatria e a Associação Americana de Psicologia, terem feito o mesmo anos antes. Também buscam a aprovação do Estatuto da Família, que define família como o núcleo social formado a partir da união entre um homem e uma mulher. Mas eu pergunto o quanto isso vai impactar na vida do evangélico que apoiou essas pessoas, que seguem gritando por "respeito a valores", mas dificilmente propõem soluções reais para os problemas sociais que afetam a vida dessas populações. 

Mulheres sendo respeitadas vai contra a fé evangélica? Outros modelos de família além do seu?Respeito e amor ao próximo? Repúdio à agressão, tortura e todas as coisas que estão na história do personagem mais importante da fé cristã - isso vai contra a fé evangélica? Se a resposta for "não", eu gostaria muito de pedir a estas pessoas que observem mais os valores reais daqueles em quem vocês votam, muito mais do que "ele representa minha fé", porque sua fé deve ser representada por você em suas atitudes, e não por alguém que a imporá aos demais. Somente assim, garantindo liberdade a todos, poderemos lutar para que a próxima galera a ser perseguida não seja, talvez, justamente os evangélicos. A minha fé se opõe ao consumo de carne de porco. Não seria correto eu me candidatar e proibir o bacon em todo território nacional, certo (eu discordo, ninguém vai mais comer porco aqui não, taokey???)?

E antes que alguém bata palmas porque "detesta crente", "acha religião organizada ridículo" ou qualquer outra opinião similar, devo lembrar que enquanto estivermos nos agarrando ao que ainda nos resta de democracia (pesquisem sobre a Ancine e vejam que tá perigoso demais para nossa liberdade de expressão), todas as vozes da classe trabalhadora devem ser ouvidas. Mesmo as que ainda acreditam que o opressor é o libertador.

Deixo de presente links cristãos que trazem reflexões muito boas. E nem cristão eu sou, hein?




Cristão, o seu cara preferido tá de braços abertos falando em amor e perdão. Não troque esse mano por gente que cospe ódio com armas na mão.

Comentários

  1. Se eu comentar "genial" em todos os textos, vai ficar muito repetitivo será? Kkkkk amei 💛

    ResponderExcluir

Postar um comentário