Mas e a MERITOCRACIA?

E aí?

Gente, vocês viram o caso do Guilherme Nobre, o filho de frentista, negro, que ficou 6 meses estudando num banheiro e passou em Medicina na USP??? O cara passou no Enem, passou na USP... deve ter passado até na última fase do Candy Crush!

Tem mais: a avó do cara morreu 3 dias antes do Enem! E mesmo assim, não teve tempo ruim - o cara arrebentou! Tipo, que cara foda!

Isso me fez refletir sobre esforço e vitimismo. Até porque, como homem negro, ouço muito coisas como "O negro precisa se esforçar mais", "Pare de vitimismo", "A porta detectou objeto metálico"... enfim...

Vocês já pararam pra pensar? Se todo negro periférico se esforçar como esse cara em vez de reclamar que o mundo é racista? Eu acho que ia ser muito bom! A gente não ia mais escutar sobre racismo o tempo todo e tal. O único chato é que se o negro fosse pra USP de mochila, ela poderia ser confundida com fuzil e uma bala perdida poderia achar justamente esse negro, né? Mas nada que uma pasta catálogo não resolva, né?

Mas agora, falando sério, eu acho que a gente precisa discutir como funciona esse negócio de meritocracia. Porque parece que, hoje em dia, o mundo se divide em dois grupos:
1. Cidadãos de bem, que acreditam na meritocracia;
2. Comunistas, que não acreditam nela.
(Mas também, faz até sentido: atualmente não é preciso nenhum esforço pra ser comunista - é só discordar do presidente e tá aqui sua boina vermelha e sua estrelinha do PT)

Como funciona esse negócio? Sério? Porque o que eu costumo ver é a pessoa correr, ralar, se esforçar, ter as melhores qualidades e finalmente, depois muito suor, a vaga ir para o cara que tem indicação e fez intercâmbio. Trampo, faculdade, vaga na Embaixada dos EUA etc.

E eu acho que a gente precisa falar disso porque pra muita gente, essa dinâmica aí não faz sentido. Um cara me comentou esses dias: "a meritocracia sempre funcionou comigo; eu não sei do que vocês reclamam!". Aí eu disse: "Mas o buraco é mais embaixo, João Dória.". Fica complicado pensar em meritocracia se seu antepassado não foi suficientemente empreendedor para escravizar algumas pessoas. Precisava de uns coach lá atrás com o slogan: "Seja você seu próprio navio negreiro!".

Acho que o embaçado também é a galera tratar exceção como exemplo. Tipo o Sílvio Santos: eu penso como seria se todo camelô tivesse seu canal de TV após se esforçar bastante: "Oh freguesia, olha o Rodrigo Santoro a preço de custo! É pra acabar!", "Olha o Programa do Chaves - todo mundo gosta! Todo mundo compra!", "Olha a Mara Maravilha - pode levar sem pagar!". Já pensou nessa fita?

Então, meu, parabéns ao Guilherme. Mano, você é sem palavras. E pensando nele, eu sugiro uma nova divisão baseada na meritocracia:

1. Aqueles que desejam mais pessoas agindo como o Guilherme.
2. Aqueles que desejam que as pessoas não precisem fazer os sacrifícios que o Guilherme fez para atingir seus objetivos.


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