Olá, meus potinhos de fúria revolucionária! Cêis tão bem?
Querides, essas últimas semanas têm sido bastante agitadas na política internacional, né? Desde que o Trump resolveu lançar bomba no aeroporto do Irã e matar o Qassem Soleimani (um dos homens mais poderosos do país) e, de quebra, Abu Mahdi al-Muhandis (chefe de milícia iraquiana apoiada pelos iranianos), tá rolando uma tensão, um apelo desesperado via memes, aquele medinho de estourar uma 3ª Guerra Mundial e inclusive uma campanha massiva para nosso ilustre presidente não se pronunciar. O próprio Exército Brasileiro (que recebeu vantagens na Reforma da Previdência por conta da possibilidade de ir para guerras) se posicionou favorável à neutralidade nacional (tradução: agora as madame tão se fazendo de desentendida).
Porém, mais que esse pânico, algo me chamou à atenção: o total desconhecimento da galera sobre o Irã. Muitos acham que Irã e Iraque são o mesmo país; teve gente falando que pra acabar com as investidas bélicas iranianas era só matar o Saddam Husseim (presidente do IRAQUE, morto em 30/dez/2006); e teve muita gente achando que o Irã fica na Europa, na África e até no Oceano Atlântico (tendo como líder supremo o Aiatolá Aquaman, talvez)! Então, como conhecimento é indispensável para não sermos feitos de bobos (ou sermos feitos em menor escala), resolvi falar um pouquinho sobre o Irã, firmezinha? É sua chance de relembrar os algarismos romanos, porque a gente vai falar de muito século daqui em diante.
Para quem tiver interesse, as informações presentes estão muito mais aprofundadas no livro “A Revolução Iraniana” de Osvaldo Coggiola.
Bom entender todas as fitas que rolaram, mas vamos contextualizar a época?
Bom entender todas as fitas que rolaram, mas vamos contextualizar a época?
O nono milênio antes da Era Comum marca o começo do período Neolítico, ou "Idade da Pedra Polida", após a Idade da Pedra Lascada e antes da Idade dos Metais, com o nascimento de Ozzy Osbourne.
A agricultura se espalha pelo Crescente Fértil (região compreendendo os atuais estados da Palestina, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano e Chipre, bem como partes da Síria, do Iraque, do Egito, do sudeste da Turquia e sudoeste do Irã) e o uso da cerâmica se torna mais comum. A população mundial é inferior a 5 milhões. É a época da construção das Muralhas de Jericó (tá lá na Bíblia, pode verificar, seu ateu safado), surgimento da Mesopotâmia, descobrimento do cobre, início da domesticação de gado (e de gatos =^.^=), invenção dos barcos, início do governo PSDB em São Paulo... enfim, faz tempo. Cerca de 10000 – 8000 a.E.C. — A região de Kermanshah foi um dos primeiros lugares do mundo onde a povoação humana emergiu. Kermanshah estava no território hoje conhecido como Irã.
A agricultura se espalha pelo Crescente Fértil (região compreendendo os atuais estados da Palestina, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano e Chipre, bem como partes da Síria, do Iraque, do Egito, do sudeste da Turquia e sudoeste do Irã) e o uso da cerâmica se torna mais comum. A população mundial é inferior a 5 milhões. É a época da construção das Muralhas de Jericó (tá lá na Bíblia, pode verificar, seu ateu safado), surgimento da Mesopotâmia, descobrimento do cobre, início da domesticação de gado (e de gatos =^.^=), invenção dos barcos, início do governo PSDB em São Paulo... enfim, faz tempo. Cerca de 10000 – 8000 a.E.C. — A região de Kermanshah foi um dos primeiros lugares do mundo onde a povoação humana emergiu. Kermanshah estava no território hoje conhecido como Irã.
Tudo começou há muito tempo, por volta do séc. XVI a.E.C., e não foi na Ilha do Sol. Foi no sudoeste da Ásia, quando surgiram as primeiras ocupações. Por volta de 1500 a.E.C., chegam duas grandes tribos na quebrada: os Medos e os Persas. Ambos concordaram em chamar aquele rolê de “Iran”.
Cabe explicar que "Kermanshah" e “sudoeste da Ásia” são definições muito simples para a localização dos caras. Eles fazem fronteira com Turquia, Iraque, Afeganistão, Paquistão, têm saída pro Mar Cáspio e pro Golfo Pérsico (vocês acreditam que eu nunca tinha associado “Pérsico” com “Pérsia”???). Os brothers estão, literalmente, no olho do furacão. Qualquer corre pra descolar umas especiarias ou pra dominar uns povos do Oriente Médio PRECISA fazer aquela escala marota no Irã. E por isso, geral sempre queria invadir o país. E invadia. E saqueava. E sacaneava o povo. Vocês vão ver a seguir que, ao longo da História, o povo iraniano se ferrou mais que as cuecas do Flávio Bolsonaro em debate político.
Cabe explicar que "Kermanshah" e “sudoeste da Ásia” são definições muito simples para a localização dos caras. Eles fazem fronteira com Turquia, Iraque, Afeganistão, Paquistão, têm saída pro Mar Cáspio e pro Golfo Pérsico (vocês acreditam que eu nunca tinha associado “Pérsico” com “Pérsia”???). Os brothers estão, literalmente, no olho do furacão. Qualquer corre pra descolar umas especiarias ou pra dominar uns povos do Oriente Médio PRECISA fazer aquela escala marota no Irã. E por isso, geral sempre queria invadir o país. E invadia. E saqueava. E sacaneava o povo. Vocês vão ver a seguir que, ao longo da História, o povo iraniano se ferrou mais que as cuecas do Flávio Bolsonaro em debate político.
Por volta do séc. VI, a dinastia Sassânida mandava na região (então chamada de Pérsia) havia mais de 400 anos. E eles eram uns belos de uns escrotos que deixavam a população em situação de miséria. Aquele panorama gerou revoltas populares contra o governo. O povão foi derrotado, mas a dinastia foi enfraquecida e caiu com a invasão árabe entre 643 e 650. Nessa época, os árabes estavam estabelecendo o califado (dos califas, que séculos mais tarde estariam de olho no decote, no biquinho do peitinho, na marquinha da calcinha e no balanço das cadeiras das moças do É O Tchan). A Pérsia, embora mantendo comunidades cristãs, zoroastras e judaicas, se torna majoritariamente muçulmana.
No séc. IX, o controle árabe perde força e o país se divide em pequenas comunidades autônomas, sob lideranças persas. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas os turcos conquistam boa parte do território e passam a mandar na porra toda até mais ou menos 1220. Os mongóis, liderados por Gengis Khan, também fizeram um BAITA estrago no país quando devastaram o Império Abácida. O último califa abácida foi morto por Hulagu Khan, neto de Gengis. A Pérsia vira, então, Ilkhanato (província) do Império Mongol. Resumindo: os mongóis dominaram metade do mundo, foram um dos impérios mais terríveis e assustadores; e você usando “mongol” como sinônimo de idiota. Tsc tsc tsc – reveja seu vocabulário, hein?
- Barein
- Azerbaidjão
- Quirguistão
- Turcomenistão
- Tadjiquistão
- Uzbequistão
- (partes do) Afeganistão
Não sendo isso suficiente, os líderes persas posteriores foram, gradativamente, vendendo o país para britânicos, franceses e russos; gastando o dinheiro das transações em viagens e putarias de todo tipo enquanto o povo se ferrava. A gota d’água, que explodiu num nível de desemprego e pobreza nunca antes visto, foi quando em 1891 o xá Nácer Aldim Xá Cajar vendeu a indústria de tabaco nacional, centro da economia, agricultura e tradição cultural persa, para os ingleses. A revolta da classe trabalhadora levou ao surgimento de diversos movimentos nacionalistas. Em 1896 o xá foi assassinado, mas seu filho Mozafar Adim Xá Cajar deu prosseguimento à política entreguista do pai. Esse mano vendeu todos os direitos de exploração do petróleo persa para William Knox D'Arcy, um dos principais fundadores da Companhia Petrolífera Anglo-Persa. Esse tapa na cara da população persa foi tão tenso que começaram a pipocar sociedades secretas fazendo trabalho de base com propaganda revolucionária!
Em 1905, aproveitando que a Rússia estava em guerra com o Japão e não conseguiria dar pitaco, se inicia na Pérsia uma revolução constitucionalista. Dá certo? Não. Mas alguns direitos democráticos são liberados, tipo, o mínimo de liberdade de expressão. Em 1907, a Grã-Bretanha domina o sul e a Rússia, o norte do país. Em 1908, a exploração de petróleo está a todo vapor e mais pontos de extração são descobertos. D’Arcy dava risada enquanto os persas comiam o pão que o czar amassou. Entre 1912 e 1923, a companhia arrecadou 200 milhões de libras. Isso dá mais de 22 trilhões de reais hoje. Era dinheiro pra cacete!
Em 1916, França e Reino Unido fazem uma aliança que desagrada a Rússia. O que acontece? Treta. Onde? Na Pérsia, oras. Os combates entre forças russas e otomanas ao norte do país começavam a afetar a estabilidade persa. A Rússia estava levando a melhor até o colapso de seus exércitos, devido à Revolução Russa de 1917 (valeu, bolcheviques). A Pérsia estava devastada pela fome e seguiu controlada majoritariamente pelos britânicos. Em 1925 o último xá, Amade Xá Cajar, foi deposto pelo revolucionário Reza Khan. Seria o fim do regime dos xás (que trocadilho infame!)? Não, porque o bonitão bigodudo instaurou outra ditadura, a da Dinastia Pahlevi, com repressão religiosa e tortura pública; se autoproclamou Reza Xá Pahlevi, ou “Reza Xá, o Grande” (queria ter essa autoestima), comandando o país entre 1925 e 1941 e expandindo sua indústria. O cara decidiu que a Pérsia, agora Irã, não apoiaria lado nenhum na 2ª Gerra Mundial. Mas os aliados fizeram uma pressão de leve (no meu bairro, a gente chama de "ameaça de morte") e o Reza abdicou para seu filho Mohammad Rezā Shāh Pahlevi. O novo xá liberou pros aliados usarem território iraniano pra atacar o Eixo. Até parece gente boa o rapaz, né?
Buscando modernizar o país, o tal do Mohammad instituiu reforma agrária, voto feminino (proibido até então), medidas coercitivas para tornar o estado gradativamente laico, e oposição dura aos inimigos políticos. Seu governo, considerado ditatorial, era sustentado pelos EUA, que concediam crédito para compra de armas.
Agora, uma nova era se instaura. Estamos em 1953. Acabou aliança com ocidente, Reino Unido e os caralho. A URSS passa a apoiar o Irã, que segue governado por Mohammad Mosaddeq ("Mohammad" é tipo "Enzo", só que árabe). Mosaddeq é deposto e preso pelas forças secretas britânicas (certeza que o James Bond tava lá) e adivinha quem volta pra assumir o poder??? Sim, ele mesmo, Reza Xá Pahlevi.
Com o povo desgostoso e cada vez mais ativo na busca por uma nova sociedade, as mesquitas eram os raros lugares onde a polícia estatal não chegava. E nas mesquitas vai ser estabelecendo uma liderança quase orgânica: o aiatolá Ruhollah Khomeini.
Explicação rápida: "aiatolá" não é uma versão islâmica do MC Bola de Fogo. Entre os muçulmanos xiitas, é um alto dignitário na hierarquia religiosa. Um cara que é referência em Teologia, Direito e eventualmente Sociologia.
Agora, uma nova era se instaura. Estamos em 1953. Acabou aliança com ocidente, Reino Unido e os caralho. A URSS passa a apoiar o Irã, que segue governado por Mohammad Mosaddeq ("Mohammad" é tipo "Enzo", só que árabe). Mosaddeq é deposto e preso pelas forças secretas britânicas (certeza que o James Bond tava lá) e adivinha quem volta pra assumir o poder??? Sim, ele mesmo, Reza Xá Pahlevi.
Com o povo desgostoso e cada vez mais ativo na busca por uma nova sociedade, as mesquitas eram os raros lugares onde a polícia estatal não chegava. E nas mesquitas vai ser estabelecendo uma liderança quase orgânica: o aiatolá Ruhollah Khomeini.
Explicação rápida: "aiatolá" não é uma versão islâmica do MC Bola de Fogo. Entre os muçulmanos xiitas, é um alto dignitário na hierarquia religiosa. Um cara que é referência em Teologia, Direito e eventualmente Sociologia.
Pois em 1979 ocorre a Revolução Islâmica. Khomeini reúne esquerdistas, liberais, muçulmanos tradicionalistas e até fãs de RBD sob sua liderança. O cara tinha carisma! Diante do tamanho da treta, Reza faz o que qualquer ditador de respeito faria: foge do país. Em 1/fev/1979, Shapur Bakhtiar assume o poder como Primeiro-Ministro. Estranhamente, dez dias depois, ele renuncia, sai vazado e Khomeini vira líder político. Em 1/abr/1979, Irã se torna oficialmente uma república islâmica e o mesmo Khomeini se torna líder supremo TAMBÉM no campo religioso. Os opositores e os chefes da polícia dos governos anteriores são todos mortos.
Nesse clima amistoso, tranquilo e pacato, ocorre entre 1980 e 1988 a Guerra Irã-Iraque. 400 mil iranianos morrem no conflito. Em meio a esse cenário surge uma oposição ao regime dos aiatolás. Tratava-se dos Mujahedin, ou "Combatentes do Povo". Khomeini não curtiu a iniciativa e 13 mil Mujahedin foram mortos. Já que estava em ritmo de opressão, que balança o coração, o aiatolá resolveu declarar o partido comunista do país ilegal. Assim, só de zoeira. O poder de Khomeini ultrapassava as fronteiras iranianas. O escritor indiano Salman Rushdie, responsável pela letra de "The Ground Beneath Her Feet" do U2, também escreveu a obra "Versos Satânicos". Khomeini não curtiu e condenou o escritor à morte. Tava fácil viver na região...
Mas, diferentemente de certos políticos do Maranhão, Khomeini morreu em 1989, sendo substituído por Alī Hossayn̄ Khāmeneʾī (Ali Khamenei pra ficar mais fácil). O cara, atual líder supremo do Irã, acredita ser descendente direto do profeta Maomé; afirmou em diversas ocasiões que o Holocausto é um evento cuja realidade é incerta e, "se aconteceu, é incerto como isso aconteceu"; é acusado de apoio ao terrorismo e tem grande foco no programa nuclear iraniano. Em 2018, a revista Forbes classificou-o como a 17ª "pesssoa mais poderosa do mundo".
Em 10/nov/2019, o país descobriu um novo campo de petróleo com reservas estimadas em 53 bilhões de barris, uma cifra que aumentaria em um terço as reservas atuais. Segundo o informe anual da petroleira britânica BP, o Irã tem a quarta maior reserva do mundo (cerca de 155,6 bilhões de barris), atrás da Venezuela, Arábia Saudita e Canadá.
E em 2/jan/2020, o governo estadunidense ataca o aeroporto iraniano. As denúncias sobre a ameaça de ataque pelo tal do Qassem Soleimani seguem inconclusivas. Tão inconclusivas quanto as armas de destruição em massa que serviram de pretexto para George W. Bush invadir o Iraque em 2003.
Independentemente dos motivos da guerra, os pontos que trago são:
- Conheçam antes de falar.
- Cuidado ao defender ou atacar.
- Por que os presidentes e líderes mundiais não lutam entre si? Por que eles sempre mandam os pobres?
“Se você não for cuidadoso, os jornais farão você odiar as pessoas que estão sendo oprimidas, e amar as pessoas que estão oprimindo.” - Malcolm X

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