Mas e o MACHO?

O Estado respeita e garante a liberdade de religião e de crenças espirituais, em concordância com sua visão de mundo. O Estado é independente da religião.

Este é o Artigo 4° da Constituição do Estado Plurinacional da Bolívia.

Conforme o censo de 2001 realizado pelo Instituto Nacional de Estatística da Bolívia, 78% da população boliviana seguia o catolicismo romano; 19% o protestantismo; 3% tinha diferentes crenças cristãs. O protestantismo, bem como as crenças tradicionais indígenas vinha se expandindo rapidamente. A maior parte da população indígena seguia religiões diferentes marcadas pelo sincretismo com o catolicismo romano ou complementadas com a sua própria visão de mundo e tradições antigas. O culto a Pachamama ou "Mãe Terra" , bem como a adoração à Virgem de Copacabana, Virgem de Urkupiña e Virgem de Socavon, são notáveis​​. Há também comunidades aimarás importantes perto do Lago Titicaca que têm uma forte devoção a Santiago Maior. Outras divindades cultuadas na Bolívia incluem Ekeko, o deus aimará da abundância e prosperidade, cujo dia é comemorado todo 24 de janeiro; e Tupã, um deus do povo guarani. Ainda constava que 3% da população do país se identificava como agnóstica ou ateia.

Parece que essa loucura chamada "pluralidade" não combina com a masculinidade fundamentalista, né?

Hoje não há tempo para reflexões aprofundadas, pois o ocorrido no dia 10 de novembro de 2019 é por demais aterrador. Após treze anos no poder e três mandatos, Evo Morales renunciou ao cargo depois de denúncias de fraudes nas eleições gerais de outubro, que foram apontadas em um relatório preliminar de uma auditoria realizada pela Organização dos Estados Americanos (OEA). Mais cedo, no mesmo dia, Evo Morales havia dito que convocaria novas eleições após a OEA divulgar os indícios de que as eleições de 20 de outubro haviam sido fraudadas. Morales justificou sua decisão como uma forma de evitar a continuidade da violência no país após três semanas de confrontos entre seus apoiadores e críticos. Quando mencionou "violência", Morales se referia à casa de sua irmã e de dois governadores aliados sendo incendiada. Referia-se à prefeita Patricia Arce, que teve o cabelo cortado à força, e foi humilhada, coberta de tinta vermelha e forçada a caminhar descalça pelas ruas.  Não se enganem. Quem está tomando o poder, o está fazendo com base na perseguição dos povos indígenas e das mulheres, simplesmente por associá-los à esquerda. E isso não significa em absoluto que Evo tenha sido um líder ilibado, divo sem defeitos. Significa que a alternativa que surge a ele sequer deveria ser cogitada como alternativa. Não se trata da direita moderada de Carlos Mesa, derrotado nas eleições. Estamos falando da Extrema Direita, radical em seu discurso neo pentecostal, beligerante e de unidade religiosa nacional. Tudo fortemente capitaneado por Luís Fernando Camacho Vaca, ou como o próprio se chama, "Macho" (eles imploram por piadas, é impressionante!).

Em 11 de novembro, o governo do México ofereceu asilo político a Morales, que prontamente aceitou a ajuda após ser ameaçado pelo exército boliviano. Segundo o chanceler mexicano Marcelo Ebrard, tal medida foi necessária para garantir a vida e a liberdade do ex-presidente.

Reforço que nada do que vem ocorrendo é simplesmente orgânico. Os golpistas mapearam a vida dos apoiadores de Morales e os sequestros usados como moeda de troca (além dos incêndios e outras ameaças) já estão na casa das centenas. Não há informações acerca das mulheres sequestrada. Crianças e idosos, idem.

Independentemente de seu posicionamento, é imprescindível entender que defender a democracia deve vir antes de esquerda ou direita. Não podemos ser coniventes com a lógica de sacrificar direitos duramente alcançados em nome de seja qual for a promessa. Se forem nossos direitos, isso é impensável. Se estivermos falando dos direitos de outrem, tal diálogo sequer deveria ter início.

Deixo aqui dois links que auxiliarão bastante na compreensão do contexto e na orientação acerca de que atitudes tomar.






Ignorar não é uma opção.

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